quarta-feira, 17 de junho de 2020

A corrida dos ratos

Há três anos eu tento me equilibrar entre uma empresa que não decola, a busca de um novo trabalho no que eu amo e gosto de fazer e a tentativa de passar num concurso público.
Tem dias que eu acordo motivada a fazer tudo de uma vez só, outras vezes motivada a dar o meu melhor a um só.
É como se eu tivesse um jardim com três flores diferentes, que eu acho lindas, mas não sei cuidar.
Quando vejo que uma pode abrir flores, dou o meu melhor nela... Mas o botão cai. Então eu passo para a próxima: meus olhos brilham, enchem de esperança, eu rego, adubo, cuido, mas o botão cai também e nada flori. No fim o que me resta é um canteiro com três plantas mirradinhas que não me orgulham, mas se eu deixar morrer eu não terei nada.
Sabe aquela corridas dos ratos na gaiola? Então...

terça-feira, 24 de julho de 2018

Paralelas que não se cruzam

Há três meses atrás re-re-re-re-empacotei minha (que agora virou nossa) mudança e me estabeleci na minha cidade natal (mais uma vez). Na mesma semana que vim morar no prédio, olhei pela sacada e vi uma mudança sendo descarregada em uma casa no terreno aqui ao lado. Lembro que o mais chamou a atenção na mudança foi que tinha dois itens bem aleatórios carregados naquele caminhão: um trator e um carro lá dentro.
Embora eu more no interior de Santa Catarina e aqui trator seja uma coisa comum, nunca tinha visto numa casa "na cidade" esse veículo, pois geralmente eles são vistos mais na área rural.
De qualquer forma, alguns dias depois deste fatídico dia, meus tios que moram aqui no bairro há muito tempo contaram que esta família foi morar em outro Estado e retornou para sua cidade natal também, de mala E TRATOR!
Desde então, todas as manhãs, ouvia o senhorzinho dono do trator ligando o veículo, andando com ele para frente, para atrás e depois desligava. Era um rito diário, e mesmo que não conhecesse a pessoa, sabia que ela estava ali. Vez ou outra passava pela frente da casa com minha cachorrinha e via várias bandejas de mudinhas de verduras... Então subentendi que ele trabalhava com isso, mas eram pensamentos abstratos sobre a "vida do vizinho do trator".
Na semana passada eu passei por um pequeno procedimento cirúrgico em uma cidade próxima, e ao retornar, meu namorado me contou que o "vizinho do trator" havia subitamente falecido naquele dia. Havia muitas pessoas na casa que era dele falando sobre o ocorrido: ele estava em seu trabalho plantando as mudinhas com o neto, quando sua missão aqui na Terra (e também na terra) se findou. 
Engraçado que ao entrar no centro cirúrgico, naquele mesmo dia, me passou pela cabeça que tudo poderia terminar ali. Éramos duas vidas paralelas, separadas por um limite de terreno... Ambos voltamos para nossa terra nos mesmos dias, precisamos de "socorro" no mesmo dia e apenas um seguiu a viagem. A vida e a morte tem destas peças.
Agora, as manhãs silenciosas estão com um ar de "pesar" vindo do terreno ao lado. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

É um telhado cinza em sua cabeça.
É acordar todos os dias e sentir um pesar por viver, é abrir os olhos. acreditar que um novo dia é uma nova chance de viver melhor, e dormir chorando. "Não foi hoje, mas preciso acreditar que uma hora vai ser".
Eu tenho saudades de quem morava aqui dentro de mim há um tempo atrás... Cheia de planos, sonhos, que tinha riso fácil. Eu tenho saudades de ser boa companhia, de ser uma pessoa de luz.

sábado, 8 de abril de 2017

Lar, doce lar

Nessa vida sentada no banquinho da roda-gigante, há dias em que nada faz sentido e há dias em que você quase contempla a paisagem completa estampada no quebra-cabeças a sua frente. Hoje  foi um dos dias no topo.
Há cerca de seis meses fui uma das contempladas com o desemprego no Brasil e estava na reta final do mestrado. Como nos primeiros três semestres do mestrado não dei conta de ser nenhuma aluna exemplar tentando conciliar o trabalho e os estudos, resolvi empacotar minha mudança e voltar ao aconchego do lar dos meus pais para terminar com calma o mestrado e economizar o seguro-desemprego. De início o retorno foi quase imperceptível, passei dias trancafiada no quarto me resolvendo com a estatística e muitos artigos... O aconchego da minha casa era uma recompensa a cada pausa. Mas depois que a correria passou, comecei a me sentir em um imenso vazio. Toda vez que parava para pensar sobre meu futuro, parecia que eu estava desperdiçando meu tempo ao voltar pra casa.
Foi então que comecei a pensar sobre o processo inverso.
Aos 17 anos sai de casa para cursar minha graduação, fiquei quase cinco anos visitando meus pais a cada mês ou simplesmente quando dava. Quando voltei para fazer o estágio final na minha cidade, estava afundada em depressão... Foi a época em que percebi que as festas e os amigos da graduação não poderiam durar para sempre. Então consegui meu primeiro emprego na cidade próxima dos meus pais e passei quase três anos entre idas e vindas aos finais de semana, chegando para o churrasco e partindo antes da depressão do fim da tarde do domingo. Mas eu era uma visita. Quando aterrissei novamente em casa, no ano passado, eu voltei para vivenciar todos os problemas que uma visita não encara.
Minha avó (que sempre morou no terreno ao lado) passava por um momento muito delicado, sua saúde estava acometida e o mal de Alzheimer estava piorando. Entre uma escapada e outra para ver se ela estava acordada, pude vivenciar seus raros momentos de lucidez e dividir com ela uma ou outra cuia de chimarrão. Teve um dia que ficamos sozinhas e ela me pediu para rezar com ela, foi quando percebi que a senhora de 85 anos um pouco esquecida à minha frente tinha uma fé inabalável na vida e em um ser superior. Quando ela nos deixou nesse plano, um pouco antes de defender minha dissertação, percebi o quanto tinha sido sortuda em acompanhar seus últimos meses de vida e poder compartilhar bons momentos antes da partida.
Meus pais também já não são mais aquele poço de juventude...Mas acho incrível a alegria deles em ver a casa cheia. Mesmo com todas as dificuldades, são sempre os mais motivados em dizer que as coisas vão melhorar, que vai dar tudo certo. Mesmo com um mínimo de estudo, sempre incentivaram eu e minhas duas irmãs a estudar e batalhar por um futuro melhor. Acho o máximo quando contam cheios de orgulho que as três filhas são graduadas e duas delas já são até mestres. E também percebo que sou muito sortuda em ter eles como pais nesses pequenos momentos.
No fim da história, defendi minha dissertação na semana passada. Foi horrível. E também ainda não encontrei emprego. Mas ainda assim percebo o quão sortuda sou por essa escolha nada magnífica na minha vida (de fazer o mestrado) acabou me trazendo de volta pra casa número 144.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

[tem um turbilhão de coisas aqui dentro]

Essa semana tem sido de reflexões e angústias. Teve jogo no céu, fé e oração aqui na Terra. Teve confusão de sentimentos aqui dentro.
Impossível não se sensibilizar com a tragédia que levou tantas vidas, me fez lembrar o quão frágil é o ser humano. Eles estavam em busca de seus sonhos, assim como todos nós.
Passei a semana escrevendo a minha dissertação, mas foi difícil manter a concentração. Em meio ao pesar, preciso me manter forte, preciso terminar. Mas qual é a conta emocional que isso me custa? Valeu a pena? [Vou jogar na estatística]
Meu namorado não me conhece sem a paranóia do tal do mestrado, minha família me pergunta o tempo se não terminei [~ Está aí no quarto enclausurada a dias ~]. Nessas horas enxergo que estou enclausurada nessa prisão há quase dois anos. O que vejo na frente são esses papéis, tão frágeis quanto eu e meus sonhos. As vezes basta um voo mais alto para os pés serem arremessados para o chão.
[...]
Que bom que aqui posso ser desconexa, não preciso de citação... Ou será que meus pensamentos já se enquadram em alguma norma da ABNT?

quarta-feira, 23 de março de 2016

Meu coração está apertado, minha cabeça comprimida, minha mente não desliga. Podia ser só um momento de angústia, mas agora é sempre assim.
Eu que nem sempre me orgulhei do meu sono inabalável, agora acordo pela madrugada sem sono. Eu que dizia que meu pai trabalhava demais, agora passo horas depois do expediente, sábado e domingo respondendo emails. Eu que achava tudo fácil, agora me descabelo todo fim de mês equilibrando as contas mais prioritárias.
~Bem-vinda à vida de adulto.

sábado, 7 de novembro de 2015

[Uma dose de amor]

As vezes eu queria abraçar meu pai e minha mãe tanto, tanto, até esmagar eles um pouquinho. Só pra sentir eles mais perto de mim, criar a impressão de que eu posso ficar ali coladinha neles para sempre.
Durante muito tempo, não sabia se era um padrão expressar o amor aos filhos com broncas, com severidade, regras. Hoje, um pouquinho de maturidade me permitiu compreender que o amor é expresso de diversas formas. E tudo que eles fizeram e ainda fazem por mim são demonstrações infinitas de amor, hoje eu tenho certeza de que eles me educaram da melhor forma, me "formaram" da melhor forma que a consciência e a situação financeira permitiram, e muitas vezes fizeram sacrifícios.
Hoje eu vi eles indo embora, me deixaram em casa... que não é mais a casa deles, entraram no carro e partiram. Partiram também meu coração, Aqueles fios de cabelos brancos balançando ao vento me fizeram chorar. Chorei porque quanto mais o tempo passa, menos tempo eu tenho para dedicar-lhes, e chorei porque eu tenho medo de não saber oferecer tudo que eles vão precisar de mim.Chorei porque a minha falta de jeito e meu pensamento genioso muitas vezes impede que eu demonstre tudo que sinto por eles. Chorei porque imaginei as inúmeras vezes que eles me observaram partir da casa deles, que era e sempre será o nosso lar sagrado. Chorei também por imaginar todas as vezes que eu parti o coração deles.
Espero que um dia, eu possa saber retribuir de uma forma mais espontânea todo esse amor, dedicação e carinho que há 24 anos vocês têm por mim, do jeito de vocês.
E obrigada Deus, por permitir que eu viesse ao mundo numa família tão linda.